Agora o tema adoção volta à baila com a cantora Madonna. Não sei qual a motivação dela, mas seu pedido para adotar uma criança no Malawi foi negada pelos tribunais daquele país. Anos atrás ela havia adotado um outro menino de
lá, recebendo muitas críticas. Familiares da criança protestaram porque o processo não teria seguido os trâmites legais, só por ela ser uma celebridade.Muitos casais ricos cometem o erro de ver a adoção como uma missão salvadora, em que eles resgatam a criança da pobreza. Com isso estão alimentando o próprio ego e um mercado milionário. A revista Foreign Policy fez uma matéria primorosa sobre isto há uns dois meses. Para começar, mostrando que a situação financeira nos países menos desenvolvidos melhorou. Há menos bebês miseráveis disponíveis para a adoção e eles estão sendo acolhidos pela ascendente classe média local. Em sua maioria quem espera adoção são crianças maiores, vítimas de maus tratos, um perfil bem diferente daquele que o estrangeiro pensa em levar para a casa.
O mais chocante da matéria é saber que casais pagam de 10 a 15 mil dólares a agências de adoção, valor que não inclui viagens para o exterior onde estão os pequenos a serem "salvos". E quando há tanto dinheiro em jogo, a ética muitas vezes fica de lado. A Foreign Policy menciona vários casos em que crianças foram roubadas de suas famílias na América Central para serem encaminhadas à adoção por casais americanos. O esquema tem a conivência de agentes públicos destes países: a criança passa algumas semanas num abrigo e o trãmite jurídico é apressado para dar uma cara de legalidade ao processo. Um grande supermercado de gente...
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